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Sexualidade Humana - Aspectos Psicológicos

Publicado no Boletim do SBEM, julho/setembro 1999, pag. 55 a 62

Vera Felicidade de Almeida Campos

 

Pela pregnância do aspecto anatômico, sempre fomos levados a pensar em sexualidade como sinônimo de genitália. Assim, quando nasce uma criança (1), basta verificar os genitais para classificar seu gênero: masculino ou feminino. Ser menino, ser menina é o definidor inicial de papeis e códigos relacionais. A base anatômica, a genitália estabelecedora do sexo, é o ponto de partida para a função sexual do humano. São próximos os conceitos biológicos e sociais, pois são mediados e homogeneizados pela ideia de função.

Nesse contexto, o conceito de sexualidade está fundamentado no aspecto biológico, exercido em uma função social. Nascer com um pênis, por exemplo, é estar destinado a criar e prover uma família. Nascer com uma vagina indica a possibilidade receptiva e acolhedora de gerar e parir filhos.

Como função social, a sexualidade se transformou em necessidade humana para a manutenção da espécie. Podemos dizer que sempre se pensou assim até o século passado (séc. XIX) ou início deste. Para categorizar a sexualidade, valiam os estudos anatômicos e as regras morais da religião dominante.

No início do séc. XX, Freud, com o conceito de libido, estende os horizontes da sexualidade, indo além do anatômico. A fisiologia e a endocrinologia também ampliaram esses limites. Como por encanto, tudo se sexualiza, enxerga-se sexualidade em tudo, embora ainda apoiando-se na dimensão anatômica, e a forma biológica é o determinante básico de qualquer consideração sobre sexualidade. Frente a esse padrão surgem desvios, aparecem casos de hermafroditismo, de pseudo-hermafroditismo, mas, o referencial de classificação continuou sendo o anatômico/biológico.

Estabelecido o tema começa a insinuar-se uma questão: ser e/ou parecer? As diferenças anatômicas, genéticas, não decidem o que é feminino ou o que é masculino. Vejamos o texto de George W. Burns, no livro "Genética - Uma Introdução à Hereditariedade":

"Diferenciação Sexual

Sexo genético - As mulheres normais têm comumente dois cromossomos X; os homens normais, um X e um Y. Como dito anteriormente, é claro, os genes destes cromossomos determinam a feminilidade ou a masculinidade. Assim, pode-se dizer que as fêmeas têm a designação XX para o sexo genético, embora ocorram casos excepcionais.

Sexo gonádico - Substâncias químicas (indutores) produzidas pelas células embrionárias XX agem na região cortical das gônadas indiferenciadas, levando ao desenvolvimento de tecido ovariano. Em embriões XY, contudo, os indutores estimulam a produção de testículos a partir da medula das gônadas indiferenciadas. Portanto, o sexo genético XX está em geral associado com o sexo gonádico ovariano, e XY com o sexo gonádico testicular.

Sexo genital - As gônadas embrionárias produzem hormônios que, por sua vez, determinam a morfologia da genitália externa e dos canais genitais. Os embriões XX normalmente desenvolvem ovários, genitália externa feminina e canais de Muller: Os embriões XY, por outro lado, desenvolvem geralmente testículos, genitália externa masculina e canais de Wolff. Nos embriões XX, os canais de Wolff são suprimidos; em embriões XY, os canais de Muller permanecem em desenvolvimento. Há assim uma distinção entre o sexo genital masculino e feminino.

Sexo somático - A produção de hormônios gonadais continua a aumentar até que, na puberdade, aparecem os caracteres sexuais secundários. Estes incluem a quantidade e distribuição de pelos (por exemplo, faciais, corporais, axilares, pubianos); as dimensões da pelve; as proporções gerais do corpo; a gordura subcutânea nos quadris e coxas, e desenvolvimento dos seios na mulher, assim como o aumento do tamanho da laringe e a mudança de voz no homem.

Sexo sócio-psicológico - Na maioria dos indivíduos, o sexo genético, gonádico, genital e somático coincidem; as pessoas XX, por exemplo, desenvolvem ovários, genitália feminina, e caracteres sexuais secundearios. Em geral, estas pessoas são educadas como mulheres e adotam as funções do gênero feminino em qualquer padrão cultural que tenha sido estabelecido na sociedade da qual sejam membros. Uma correlação semelhante desde o sexo genético até o sócio-psicológico é vista em indivíduos XY. Por outro lado, alguns indivíduos apresentam uma incoerência de algum tipo ou grau entre estes níveis de sexualidade. As discordâncias relacionadas com o sexo genético e o anatômico resultam em intersexualidade. [pag. 203-204]

"O sexo como uma grandeza contínua - Em vez de uma condição ou-ou, macho ou fêmea, XX ou XY, o sexo pode ser visto como um contínuo, que vai desde o supermacho, através do macho intersexuado de vários graus, até a fêmea, e adiante até a superfêmea. Onde o indivíduo se coloca em tal contínuo está relacionado com a relação dos cromossomos X individuais com os conjuntos de autossomos. É claro que não são os cromossomos como estruturas que são os fatores que decidem, mas sim os genes nos cromossomos. Assim, os genes para a masculinidade estão associados com os autossomos, e os para a feminilidade com os cromossomos X. No entanto, todo este aparato de determinação do sexo pode, em alguns casos, ser transtornado por um único par de genes autossômicos recessivos (tra)!

Nos seres humanos normais, os machos são XY e as fêmeas XX, como nas Drosophila. Mas é o sexo aqui também determinado pela relaçao X/A? Quanto ao sexo, o cromossomo Y transporta genes para a fertilidade do macho na Drosophila ou para sexo masculino propriamente dito? Para responder a estas questões será útil examinar 1) os comossomos sexuais, 2) o conceito de diferenciação sexual e 3) as anomalias sexuais humanas e seus arranjos cromossômicos." [p.199- 200]

Em outras palavras, sexualidade está na cabeça e esta é uma ideia que substitui e questiona a ideia de que sexualidade está no corpo, nos genes e cromossomos. Neste momento é muito enfática a contribuição da endocrinologia: existem transexualidades além do hermafrodita e do clássico masculino/feminino, existe um sexo anatômico que nem sempre corresponde ao humoral/endócrino. Pensaram que, com esse conceito de sexo humoral/endócrino, as coisas se resolveriam. Não foi assim, homens e mulheres desmentiram, na prática, essa afirmação. Inúmeros homossexuais assumidos apresentam os níveis considerados normais dos hormônios masculinos e femininos. Falou-se muito em aberrações, desvios sexuais e por fim chegou-se à afirmação de que a sexualidade está na cabeça, é psicológica. Nesse momento, as coisas ficam mais complexas. Vejamos porque.

Sexo, sexualidade e atividade sexual

Sexo é sinônimo de gênero. Nesse sentido, sua determinação é anatômica, apenas isso. Não determina nem explica a sexualidade, muito menos a atividade sexual. Esse gênero, definido, permite dividir a humanidade em seres de sexo masculino e feminino, sem se deter em nuances negadoras desse definidor genérico.

Sexualidade é o que resulta de existirem sexos. Desejo, possibilidades, impossibilidades, limites e necessidades são configurações desta realidade: o sexo.

Atividade sexual é o que acontece quando os sexos se relacionam, ou, quando o sexo se relaciona estabelece a atividade sexual. Relacionamento entre sexos, ou do sexo, pressupõe sempre uma pessoa, um ser-no-mundo. A atividade sexual do homem só pode ser enfocada psicologicamente, pois sempre é exercida por um ser humano. É um comportamento, não é um espasmo ou atividade orgânica. Esse comportamento (atividade sexual) expressa motivações, percepções, disponibilidade, maldade, desespero, autorreferenciamento etc. Nesse sentido, existem tantas formas de relacionamento sexual quantas são as possibilidades de relacionamento humano. O estudo da atividade sexual humana, é um estudo sobre motivação, aprendizagem, neurose e escolhas humanas. As dificuldades que temos hoje em dia, em nosso trabalho clínico, decorrem de focalizações nebulosas. Às vezes, pensamos em atividade sexual como sinônimo de sexo e não conseguimos entender que um mundo próprio está por ser traduzido. Lançamos mão de Freud, utilizamos os conceitos de traumas etc. Outras vezes, as situaões são mais complicadas. Médicos precisam decidir se, após a solução do problema hermafrodita, surgirá um homem ou uma mulher. Encaminham a um psicólogo que também procura auscultar a alma, a psique do outro, do cliente, a fim de saber se o mesmo se sente homem ou mulher, já que ele está nessa encruzilhada de poder ser o que quiser. Não é visto o contexto social que já o criou e estigmatizou como mulher, não podendo escolher ser homem, ou vice-versa. Muitas vezes o indivíduo escolhe o que já está determinado, independentemente de corresponder à sua motivação.

Quanto mais se pensa no humano como um ser, menos se precisa de gêneros - masculino/feminino - e melhor se fará o estudo da totalidade humana. Nesse sentido, estamos caminhando bem. Da ideia restrita de sexo, descobrimos um todo mais amplo: a sexualidade. Estamos agora diante do infinito da atividade sexual. É um equivalente de quando se pensa no ser humano como clã, depois tribo, raça e agora como habitante do planeta. Não existem raças, cor de pele não define comportamento psicológico, nem caracteriza melhores ou piores. A igualdade dos sexos, a abolição da supremacia do homem, a libertação da mulher têm possibilitado um enfoque mais justo sobre a sexualidade e a atividade sexual humana.

Após essas considerações, visualizemos, já em outro contexto, a questão da sexualidade.

Sexo é genitália, determina o gênero masculino/feminino e é o principal estruturador de padrões e papeis a serem desempenhados pelo ser humano. Quando se nasce, já existe um roteiro, um programa estabelecido. Só nos resta cumprir. Os programas são datados, em média de 25 em 25 anos são ultrapassados e caducam. Nessa datação de programas reside o tão falado choque de geraões, muito estudado e explorado pela psicologia como causa de distúrbios comportamentais da adolescência. Vemos que simples diferenças anatômicas são responsáveis por coisas tão complexas, tais como papel social, comportamento, etiquetas etc. No início do século XX, muitas mortes foram registradas em defesa da honra violada: era, nada mais nada menos que a integridade do hímen o que estava sendo batalhado. A peça anatômica tinha que estar íntegra. Quantas horas de divã foram gastas na discussão do complexo de inferioridade criado pela descoberta de ter o pênis menor que o do irmão!

O anatômico-biológico ganhou uma condição tão importante que o sexo transformou- se em uma senha, talvez até em um ícone, para a dimensão sexual humana, para a sexualidade humana.

Sexualidade humana pressupõe sempre relacionamento, pressupõe também a existência de um contexto estruturante: o corpo. Quando o relacionamento se dá com o outro, quando a vivência é de aceitação, surge uma intimidade integradora. Quando a relação com o outro se dá em um contexto de não aceitação, caracterizado por sedação de necessidades, surgem vivências de satisfação/insatisfação. (2)

Entender a atividade sexual humana nos obriga a entender o processo motivacional do ser humano em relação ao outro. Torna-se também necessário comprender a relação que se estabelece com o próprio corpo, perceber os níveis de estruturação da individualidade, pois só assim poderemos perceber se a atividade sexual está sendo integradora ou desintegradora. Esta é a questão: humanizar ou desumanizar. Atividade sexual humanizante é aquela na qual o outro existe como tal, como humano e não como objeto de satisfação de desejos ou realização de fantasias, sonhos impossíveis e demandas agressivas ou cruéis. Desumanizante é toda atividade na qual o outro é percebido como o maravilhoso/péssimo objeto responsável pela solução de determinadas demandas e desejos. Seres humanos são classificados em homens e mulheres, isso explica o seu gênero, o fato de pertencerem ao sexo feminino ou masculino, apenas isso. Homens e mulheres transcendem essa dimensão biológica à medida que se humanizam em contato com o outro, com o semelhante. Se o semelhante é apenas um transmissor de normas, valores e padrões, jamais a humanidade, a individualidade é atingida, embora, organismos, glândulas e sexualidade possam funcionar corretamente. Como psicólogos e terapeutas não podemos perder de vista que é na relação com o outro que o humano/desumano se estrutura. (3)

Imaginemos uma nítida disfunção hormonal/metabólica, criando casos fronteiriços, nos quais, pelos caracteres sexuais secundários, fica difícil determinar o gênero a que a pessoa pertence. Havendo aceitação do outro, no caso os pais ou equivalente, aceita- se a disfunção e procura-se corrigi-la. Se o indivíduo for estigmatizado pela indiferenciação sexual, estrutura-se uma não aceitação da mesma e começa um processo de disfarce, escamoteamento, responsável por estruturação de ansiedade, angústia, medo de ser pego em flagrante, mentiras etc. Nesse segundo contexto, as cirurgias corretivas estão sempre ameaçadas, pois o que se deseja nunca é o assumido, e situações se explicitam, por exemplo, como o fato de preferir acentuar o aspecto feminino poder ser um esconderijo, um desvio do grande desejo de ser homem e vice- versa. Indiferenciações/diferenciações anatômicas e hormonais não indicam características da sexualidade humana.

Atividade sexual, como qualquer outra atividade humana, caracteriza-se por disponibilidade e liberdade ou por autorreferenciamento e medo. Disponibilidade e liberdade são estruturantes de amor. Medo, limites e referências próprias, como maneira de traduzir e filtrar o que acontece, caracterizam a solidão, a dificuldade de relacionamento.

SEXUALIDADE HUMANA

Extrato do livro "Psicoterapia Gestaltista - Coceituações"
Vera Felicidade de Almeida Campos, Edição da Autora, Rio de Janeiro, 1973

A sexualidade humana é um ponto de convergência de vários enfoques: sociais, psicológicos, sociológicos, antropológicos, filosóficos, religiosos, econômicos, artísticos etc. existindo também uma ciência, ou método, a sexologia, dedicada a englobar todas as manifestações e explicações que digam respeito ao sexo, à função sexual humana.

Na psicologia, dentro da visão psicanalista, a sexualidade é entendida como núcleo de todo o comportamento humano, responsável pelas realizações, frustrações e motivações individuais. No behaviorismo, a função sexual é vista como necessidade primária, sendo responsável pelos condicionamentos que se fazem em função dos estímulos ambientais, englobando-se aí cultura e sociedade. Desse modo, também no behaviorismo, a sexualidade é núcleo formador da personalidade humana.

No gestaltismo, sexualidade é uma resultante do relacionamento com o outro, decorrente da percepção de si mesmo. Nesse sentido ela não é preexistente. Para entender melhor o sentido dessa não-preexistência, faz-se conveniente situar as diferenças conceituais, acerca da motivação, entre gestaltismo e outras correntes psicológicas. Essas diferenças poderão ser clarificadas da seguinte maneira: para a psicanálise, behaviorismo e funcionalismo (aí incluindo-se também Piaget), o motivo está no organismo, na personalidade, é intrínseco ao homem, enquanto, no gestaltismo, o motivo está fora do organismo, é extrínseco ao homem, encontra-se no campo ou contexto. Para a psicanálise, behaviorismo e funcionalismo, a motivação é uma fuga à estimulação (vide conceito de homeoestase - psicanálise. Redução de tensão (drives) - behaviorismo. E procura de adaptação no funcionalismo), enquanto para os gestaltistas a motivação é uma procura de estimulação, conceito esse desenvolvido por meio de estudos sobre conduta exploratória. Da conceituação de motivação surgem várias implicações, não apenas metodológicas, como veremos a seguir. Metodologicamente, a motivação é um dos capítulos chaves da psicologia contemporânea, pois a ela estão subordinados todos os aspectos comportamentais: aprendizagem, emoção, memória etc.

Procuraremos, a seguir, caracterizar cada uma das posições teóricas acerca da motivação, com as consequentes implicações, desde que, embora divergentes, todas são unânimes em afirmar que a conduta humana é motivada, daí ser fundamental o que se conceitua como motivação, a fim de entender as explicações conceituais e suas decorrências práticas e terapêuticas para o comportamento humano. A psicanálise, através de Freud, realizou a primeira abordagem do comportamento humano por meio da motivação. Antes disso as psicologias dos séculos XVIII e XIX ignoravam o assunto devido ao reducionismo psico-físico e psico-fisiológico. Daí ter havido, a partir de Freud, uma abordagem dinâmica do comportamento humano, que antes era estaticamente visualizado, posto que se filiava aos a priori das faculdades mentais, remanescentes ainda do conceito de consciência como conteúdo mental (notar a importância da conceituação de consciência para os desenvolvimentos teóricos ulteriores; pensar nas diferenças que surgem quando se conceitua consciência como conteúdos mentais, ou quando é conceituada como intencionalidade - Husserl). A dinamização realizada por Freud sobre o conceito de comportamento humano opõe-se apenas ao aspecto estático de conteúdo mental, mas não modifica em nada seu elementarismo, pois nele, o todo ainda é a soma das partes, tanto no associacionismo empirista da psicologia dos séculos XVIII e XIX, como na visão psicanalítica de instintos, impulsos, Ego, Id e Super-Ego.

Freud preocupou-se com o como e o porquê do comportamento, respondendo por meio da sua teoria da motivação, que pode ser enfeixada nos seguintes postulados básicos:

1) toda conduta é motivada; na ausência de exigência biológica não há comportamento;
2) os principais motivos são inconscientes;
3) a motivação se exprime sob a forma de tensão biológica (conceito de homeoestase e somatização);

4) os motivos mais importantes são biológicos e inatos, responsáveis pela explicação de toda conduta humana;
5) existem dois motivos dominantes, recalcáveis, daí se converterem em motivos inconscientes (Vida e Morte ou, sinonimicamente, Eros e Tanatos).

Dentro dessa visão psicanalista, que abrange todas as escolas psicanalistas (culturalistas, Kleiniana etc.), fica claro que só se pode entender o comportamento humano conhecendo-se o motivo do mesmo, portanto, o motivo preexiste ao comportamento, é a causa dele. Essa visão causalista explica a abordagem determinista-reducionista da psicanálise, tanto quanto o seu caráter finalista, quer no sentido de busca da homeoestase, quer na procura do ajustamento como maneira de resolver o conflito entre demandas instintivas, demandas inconscientes e realidade social, enfim, o conflito entre Id, Ego e Super-Ego.

Essa conceituação mecanicista-reducionista da motivação é, em última análise, decorrente de uma visão dualista, já que lida com consciência e comportamento como realidades distintas. Enquanto aspectos práticos, decorrentes dessa teorização acerca da motivação, ficam explicadas as escolhas, as frustrações e as realizações humanas - vide trabalho de Freud sobre Leonardo da Vinci e sua explicação sobre a formação da sociedade como decorrência do medo instintivo da morte ou, amenizadamente, o medo de ser livre, de ficar sozinho (segundo Erich Fromm) - e ainda as explicações para as escolhas profissionais: o físico é o indivíduo que, motivado por sua necessidade infantil instintiva de participar e agredir as relações sexuais dos pais, olhava pelo buraco de fechadura e sublimando isso, dedica-se a mecroscópios, lunetas e outros instrumentos ópticos, por exemplo.

No behaviorismo também se estuda a motivação como dinamizadora da conduta humana, determinando-se como motivo, o como e o porquê dessa conduta. Nesse sentido, por meio de Watson inicialmente, os motivos são considerados sinônimos das necessidades básicas, que são consideradas em um plano puramente orgânico, biológico. Essas necessidades são: sono, sede, sexo e fome. Sendo os motivos inatos e biológicos, necessário se torna explicar como eles se transformam em comportamento. Isso foi teorizado através dos condicionamentos, ou seja, essas necessidades biológicas inatas - os motivos - determinam reflexos naturais, incondicionados que, pelas estimulações do meio, vão se condicionando, originando, assim, os motivos secundários responsáveis por toda atividade humana. Dentro desse ponto de vista, fica claro porque todo comportamento e personalidade humanas dependem da aprendizagem, entendendo-se o porquê da psicologia de orientação behaviorista ser psicologia da aprendizagem, estudando o comportamento humano como um processo de aprendizagem, inclusive em suas modificações terapêuticas. Clark Hull, neobehaviorista, mentém esse ponto de vista, embora sob nova forma: a "drive-reduction theory". Para ele, é necessário que haja uma redução de necessidades (fome, sede, sexo e sono), a fim de que surja a aprendizagem, processo esse que, através de gratificação e redução de necessidades, possibilita novos comportamentos. Por exemplo: o rato no labirinto, quando come, reduz sua necessidade de alimento e aprende como reduzi-la em outra oportunidade ao condicionar qual dispositivo apertar ou qual lugar a atingir quando está com fome. O mesmo é válido para o homem.

Nessa teoria, ficam também claros os aspectos reducionistas e mecanicistas na abordagem do comportamento humano, tanto quanto a ideia de que a motivação como necessidade biológica preexiste ao comportamento, o que implica em dizer que a atividade comportamental psicológica, resulta de uma tensão biológica satisfeita reduzida.

O funcionalismo, devido às suas fundamentações pragmáticas (W. James), conceitua o motivo como um instrumento de adaptação. É uma ponte entre o organismo e o meio, entre o biológico e o psicológico, sendo, portanto, uma visão hedonista (o homem busca o prazer e foge da dor, adapta-se para sobreviver) e também dualista à medida que imagina preexistências, causas para o comportamento humano.

Os gestaltistas acham que o motivo não está dentro, não é inato ao indivíduo, daí não estudarem a motivação através do porquê da conduta, e sim do como, do para quê, enfim, entendem motivação como um processo de direção de conduta e não como deflagração de conduta, como é feito nas outras escolas psicológicas. Essa visão de motivação é sinônima de possibilidade de comportamento, sendo que o mesmo existirá em função das demandas contextuais. Nessa abordagem, o motivo é a valência, direção do campo, força; não é necessário haver tensão a reduzir, a motivação se dá em termos perceptivos, é consciência, intencionalidade. Estar motivado, comportar-se, é perceber uma demanda, uma função relacional. Não há preexistência, pois perceber é conhecer pelos sentidos, e isso é comportamento, sendo que sua realização se dá sempre em um contexto intrinsecamente significativo. Visto isso, podemos entender afirmações gestaltistas tais como a de que se aprende apesar da fome, sede, sexo e sono, tanto quanto ficam inteligíveis as negações feitas, pelos gestaltistas, da aprendizagem como um processo de ensaio e erro, como resultante de condicionamentos.

Após essas considerações, voltemos ao assunto proposto: a sexualidade humana.

A sexualidade é motivadora do comportamento humano para psicanalistas, behavioristas, funcionalistas e outras abordagens do tema que são influenciadas por estas correntes psicológicas, e é um comportamento humano para os gestaltistas. Não podemos dizer que é comportamento humano para behavioristas, psicanalistas e funcionalistas, dadas as conceituações teóricas dos mesmos acerca de motivo - a atividade sexual. O ato sexual, propriamente dito, seria para eles comportamento humano resultante das motivações sexuais (vide dualismos anteriormente apontados e caracterizadores dessas posições). Feitas essas distinções entre gestaltismo e outras escolas, já por demais enfatizadas, exporemos a visão gestaltista acerca da sexualidade humana.

Sendo a sexualidade um comportamento humano, fica esclarecido que ele se dá em nível perceptivo, daí o exercício da função sexual depender da percepção do outro, já que, como todo comportamento, é relacional.

A atividade sexual vai depender da estrutura relacional, ou seja, de como eu percebo o outro, de como o outro se percebe, de como eu me percebo e de como o outro me percebe. Em outras palavras, o relacionamento sexual pode ser autêntico ou inautêntico. A sexualidade pode ser uma dimensão do relacionamento humano ou um objeto, um instrumento de prazer, angústia, medo, ansiedade. Pode ser uma realização participadora ou uma omissão coisificate, tudo depende de como seja percebida a sexualidade, eu e o outro.

A percepção do sexo pode ser distorcida ou não. Sem distorção, sexo é percebido como uma função orgânica, tanto quanto locomover-se, ver, ouvir etc. Distorcidamente, ele é percebido através dos a priori culturais, inserindo-se em visões preconceituosas, tabus religiosos, unilateralizações classificadoras. Por exemplo, parte do corpo que tem função reprodutora, que é considerada feia, deve ser escondida etc. Não nos interessa aqui entrar em um estudo da gênese dos tabus, preconceitos, enfim, distorções em relação a sexo enquanto estruturação contínua de atitudes distorcidas.

Entretanto, fica esclarecido que a distorção em relação ao comportamento sexual ou a qualquer outra realidade, decorre de uma visão mágica, animista, dos fenômenos. Nesse sentido, achamos que a visão religiosa, a ignorância dos processos biológicos e humanos são responsáveis por isso, sem esquecer também os interesses sócio- econômicos relacionados à manutenção de certos dogmas morais e de certas instituições - casamento, por exemplo. Daí decorre o problema da virgindade, diretamente ligado a aspectos de ordem familiar e propriedade privada.

A distorção provoca uma vivência alienada da sexualidade. A não distorção, resultante da aceitação do próprio corpo e de sua sexualidade, leva à percepção da mesma como uma dimensão humana, uma possibilidade de relacionamento, e não uma coisa que deve ser satisfeita, esquecida, escondida ou instrumentalizada para outros fins, tais como constituição de família, garantia do futuro para reprodução da espécie etc.

O sexo tem uma função relacional, tanto quanto os olhos vêem, a mão pega, o nariz cheira, o que também é relacional.

Vivenciar a sexualidade autenticamente é assumi-la como um nível de relacionamento com o outro, daí a masturbação ser considerada uma atitude autorreferenciada, o que implica em uma divisão do indivíduo, formalizante de inautenticidade. Ora, se a sexualidade humana é um dos níveis de relacionamento com o outro, a explicitação dela vai depender da existência e percepção do outro, já não podendo ser considerada como um dado biológico, o que implicaria em inatismos, mas sim ser entendida como aspectos relacionais do estar-no-mundo-com-o-outro.

Portanto, surge uma distorção sob forma de um a priori esquematizante e classificatório. A sexualidade é estudada e explicada como função biológica apenas, o que se antagoniza com a vivência dela que sempre é, mesmo distorcidamente, psicológica, como qualquer vivência comportamental. Em termos biológicos, sexo é uma função que tem como finalidade precípua a reprodução. Acontece que a teleologia - a finalidade - não existe no organismo, na matéria. É uma tentativa de explicação do homem, quando ele percebe o mundo e os processos orgânicos como caóticos, daí a necessidade de explicações teleológicas ou metafísicas, como Deus, por exemplo. Mas, a essa visão finalista, determinista, causalista opõe-se uma visão dialético-fenomenológica, processual, onde a percepção da organização intrínseca aos fenômenos, ao mundo, aos processos orgânicos da matéria, como cosmos, são uma constante. Por essa razão, não é mais possível a manutenção de regras e esquemas que, em última análise, são visões aristotélico-tomistas dos processos materiais, dos processos orgânicos, ou explicações psicanalistas (dualistas) da realidade humana, enquanto vivência psicológica. Visto isso, voltemos ao assunto, transcendendo (não mais distorcendo) a visão apriorística da sexualidade como dimensão humana.

Para clarificar as implicações dessa visão não distorcida, analisemos, por exemplo, a questão das perversões sexuais.

Perversão sexual é sinônimo de anormalidade sexual. Normal e anormal são assuntos controvertidos, polêmicos e já superados pela psicologia contemporânea, isso porque já se conceitua e apreende normal/anormal com sentido estatístico: a média significativa é a norma, é o normal; e anormal é o que não é média, o que não é quantitativamente frequente. Normal e anormal podem também ser entendidos como sinônimos de certo e errado, o que pressupõe diversos a priori valorativos, impossíveis de serem aceitos por uma visão do comportamento humano tal como o é a psicologia, que pretende ser científica. Por causa disso, já não há sentido em falar de perversão sexual, daí os autores contemporâneos substituírem o temo "perversão sexual" por "desvios do comportamento sexual". Essa substituição não muda o conceito implícito da forma estabelecida, em função da qual existem variações que são consideradas dentro ou lateralizadas, desviadas do estabelecido. Enfim, não podemos falar de perversões ou desvios sexuais, pois ficam subentendidas conceituaçães apriorísticas. Ora, a questão que se coloca é exatamente a de averiguação de essências, no sentido de estruturas configurativas do humano, e não a determinação de congruência ou incongruência, o que faria supor padrões prévios ao comportamento humano.

Dentro disso, o que era e ainda é considerado por certas correntes psicológicas como perversão, desvio do comportamento sexual normal e congruente, passa a ser abordado por nós enquanto autenticidade ou inautenticidade relacional. Enfim, o desempenho da função sexual vai depender da estrutura relacional, da disponibilidade ou autorreferenciamento.

 

PROBLEMATICAS SEXUAIS

Extrato do livro "Mudança e Psicoterapia Gestaltista"
Vera Felicidade de Almeida Campos, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1977

A sexualidade humana só pode ser apreendida totalmente se configurada pelas suas dimensões imanentes, representadas pela estrutura anatomofisiológica (biológica) e pelas suas dimensões transcendentes relacionais (existenciais). Ser constituído por um corpo, estar-no-mundo, em um sociedade, uma cultura, e relacionar-se com o outro, demonstram e explicam a trajetória dos relacionamentos sexuais dos seres humanos. A civilização ocidental distorceu o conceito de sexualidade humana, reduzindo-o a aspectos meramente reprodutores, biológicos, por visualizá-la por meio de dogmas religiosos, principalmente. As explicações bíblicas, o Gênesis, foram responsáveis por juízos teleológicos. Tudo tem uma finalidade, nada é explicado por si mesmo. O homem é uma prova do Criador, a criatura tem a missão de crescer e multiplicar-se. O mundo precisa ser povoado. A sexualidade humana foi instrumentalizada e institucionalizada para esse objetivo. Essa negação do humano, pela coisificação de sua sexualidade, criou muitos problemas sexuais, vários estigmas, contaminando, inclusive, a visão das ditas ciências do homem: filosofia, psicologia etc. Surgiram também as regras, as definições, o consenso social acerca do que é ser normal, do que é ser pervertido, do que é sadio, do que é doente, do que é devido, do que é indevido. Misturou-se tudo e a alienação em relação à própria sexualidade, ao próprio corpo, passou a ser uma constante na vida do homem. Essa visão não-humanista é representada principalmente pelas religiões, por teorias pseudocientíficas, pelas instituições (casamento, leis etc.), sendo também responsável pelo esvaziamento, no ser humano, de um dos seus principais contextos de autodeterminação, de escolha: sua sexualidade.

A propriedade privada, a família, a ordem econômica postularam e estratificaram funções e papeis para a diferenciação anatomofisiológica do feminino e do masculino. Analogias e simbologias serviram de apoio a esses postulados. Assim, a mulher é o fixo, o receptáculo, o passivo, o imóvel: recebe, gera, guarda, mantém, cuida. O homem é móvel, produtor, ativo, introdutor, doador: age, atua, sustenta. Mitos, regras, papeis a serem desempenhados: o masculino, o feminino. Extrapolações foram feitas para justificar e eternizar esses papeis: as mulheres são mais sensíveis, menos inteligentes que os homens etc. Acontece que o movimento pode ser retardado e deslocado, mas nunca destruído. A própria dinâmica social passou a exigir modificações desses papeis. Dogmas e mitos começaram a cair, a própria necessidade da reprodução humana sem controle é questionada. Avança a ciência, o corpo humano é desvendado, segredos revelados (pílulas anticoncepcionais, criação de organismos vivos em laboratório, inseminação artificial, controles genéticos, previsão do sexo antes do nascimento, descoberta da zona do prazer [hipotálamo], medição do orgasmo nas experiências de Masters & Johnson), surgem mudanças, novos estigmas substituem os velhos. Confusão de papeis. O ser humano começa a ser dono e senhor de sua própria sexualidade, entretanto, ele ainda está dividido, confuso, fragmentado, parcializado em tabus, medos e regras. Existem alternativas, existem dúvidas, já há movimento.

As problemáticas sexuais carcterizam-se pela despersonalização, pela regulação por meio dos padrões sociais de comportamento, pela não-aceitação do próprio corpo, pela instrumentalização da sexualidade. Negando a imanência biológica da personalidade e não percebendo o outro senão como objeto para a satisfação de necessidades, o ser humano coisifica sua vitalidade e unicidade relacional enquanto sexualidade, encontro totalizante desde que abrangente de sua estrutura física, corporal, biológica. Fica claro que, em termos gerais, as problemáticas sexuais decorrem da instrumentalização do corpo, criada pelo outro e pela sociedade, por meio de seus mecanismos institucionalizadores. Vejamos alguns exemplos: no século passado, a masturbação era considerada uma doença, um comportamento causador de loucura, como cita Thomas S. Szasz em seu livro "A Fabricação da Loucura", utilizando trechos do livro do médico E. S. Ekman "O Inimigo Secreto", puclicado em Estocolmo, no ano de 1887, no qual Ekman adverte que a "masturbação" tende a transformar o jovem numa "ruína gasta e emaciada, que caminha para o túmulo ou para a cela do manicômio" e faz com que mergulhe na "noite escura e sem fim da insanidade". Além disso, diz, a masturbação também faz com que "se interrompa o crescimento da criança, enquanto se reduz ou se detém inteiramente o desenolvimento do sistema muscular, da voz, o crescimento da barba, a coragem e a energia". Infelizmente, essas idéias ainda encontram representantes nos meios médicos, psicológicos e em grande parte da população.

No século XIX, o homossexualismo era considerado um crime sexual, equivalente da loucura. Hoje em dia, o homossexualismo é, por muitos, considerado um comportamento sintomático de neurose. De um certo modo, a evolução é grande, mas, por outro lado, persiste a estigmatização alienante, representada principalmente pela psiquiatria e psicologia institucionalizadas e institucionalizadoras... A propósito, é interessante o que diz o psiquiatra norte-americano Robert Seidenberg: "a questão importante não consiste em descobrir o que os faz homossexuais, nem no que se há de fazer com eles, mas sim em descobrir o que faz com que a sociedade os reprima".

Ser ou não ser homossexual, masturbar-se ou não se masturbar, relacionar-se sexualmente segundo as convenções vigentes, ou não seguir as mesmas, não é a questão. A questão, o problema é considerar a sexualidade como um instrumento alienante e coisificante/coisificador, ou vivenciá-la enquanto dimensão humana. A burocratização, a robotização da sexualidade humana por meio de regras e normas, ou a humanização no ser-com-o-outro, essa é a questão. Vejamos agora os principais estagnadores, instrumentalizadores coisificantes da sexualidade humana.

O não ter condições de, ou autorreferenciamento, podem estabelecer-se, constituindo- se em situante, polarizador, receptáculo das dificuldades relacionais e da não- aceitação, no nível sexual. É a impotência, a frigidez sexual. A impossibilidade de ereção e de orgasmo parcializa o ser humano, fragmentando-o, dividindo-o, criando rituais distensionantes: masturbação, fetichismo, fantasias sexuais estimuladoras, exibicionismos etc. As substituições desvitalizadas e instrumentalizadas mantêm a frigidez, a impotência, criando as vítimas, os insatisfeitos, tanto quanto originando os machões, as mulheres fatais que se afirmam e se definem pelas conquistas, relacionamentos sexuais contabilizados, creditados enquanto aplausos de platéia e ajustes a padrões vanguardistas. O domínio de técnicas, a amplitude de know-how lhes asseguram uma pseudo-autonomia, pseudo-liberdade e falsa disponibilidade sexual - é a onipotência, nada mais que índice de deslocamento da impotência frente ao outro, daí a necessidade de instrumentalizá-lo, usá-lo e instrumentalizar-se, usar-se.

Desses relacionamentos programados surgem omissões, medos, culpas. A impossibilidade de sentir, o desencontro relacional, a preocupação com a perda do objeto satisfatório adequado, a sensação de não se estar saindo bem, a culpa de não estar correspondendo às expectativas, a timidez, a agressividade são constantes nessas vivências. A preocupação em seguir as normas estabelecidas, a surpresa e o espanto, a dificuldade em aceitar o outro enquanto abertura total são aspectos da timidez sexual, tanto quanto o são as exigências de garantias, reparações e manutenções das convenções sociais. A agressividade sexual, a negação do outro como igual criam desníveis: o agressor e o agredido, o ativo e o passivo, o forte e o fraco, o masculino e o feminino. São os papéis, as regras, as normas, ensejando distorções, criando afirmações descentralizadoras da problemática relacional.

Vergonha, rejeição, depressão estabelecem compromissos, desvitalizam, robotizam a sexualidade humana. O relacionamento passa a ser feito, a ser possuído, é um trunfo a ser exibido ou a ser escondido. Pode também ser uma atividade econômica produtiva - é a prostituição resultante da instrumentalização, da coisificação que a sociedade faz do ser humano, especificamente na prostituição da mulher, de seu ser, e por extensão, de sua sexualidade.

O vazio, a desvitalização, o medo, a ansiedade, as tentativas de superar as situações alienantes por meio de uma vivência sexual socialmente aprovada, institucionalizada - casamentos, rotinas, regras, medos, manutenção dos relacionamentos sexuais por estar casado, estar junto, estar afirmado socialmente - tudo isso é a negação da disponibilidade humana, é a estagnação, a burocratização, a angústia.

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1 - Também ao se fazer uma ultra-sonografia em um feto.
2 - Veja "Sexualidade Humana", extrato do meu livro "Psicoterapia Gestaltista - Conceituações", nesta revista.
3 - Ver "Problemáticas Sexuais", extrato do meu livro "Mudança e Psicoterapia Gestaltista", nesta revista.

 

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